terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Teoria da Exceção

O que significa ser uma exceção?

A idéia de ser exceção sempre me atraiu. De início acreditava que isto talvez fosse uma vontade de ser singular, único de alguma maneira, mas vejo agora que não é tão assim...
Se manter oculto, disfarçar, passar despercebido soa mais atrativo do que qualquer noção e vontade de destaque.

É uma pena que o mundo em que vivemos hoje engula as exceções em uma velocidade alucinante. Mal são detectadas e já deixam de ser exceções. Para mim a exceção é sempre incógnita, desconhecida. A partir do momento que ela é percebida, ela perece.
Consumimos e absorvemos tudo muito rápido nos tempos atuais. Acredito sim que algo ou alguém que em algum instante deixou de ser exceção possa voltar a ser uma. Realmente é uma tarefa difícil de ser efetuada, mas possível.

O desafio é se manter anônimo, mesmo sob o grande olho que nos espreita sem dencanso.

As exceções tem a ver também com as minorias (algo que gostaria de desenvolver mais em um futuro próximo). Este desejo de minoria sempre esteve em mim, mas nem sempre eu percebi isto. Acredito que a noção de "exceção" vem justamente daí também.

As grandes movimentações da história do universo surgiram de minorias, por mais que em algum momento elas tenham sido levadas à tona por uma grande massa. A criação sempre se originou num íntimo.

Por isso coloco sempre em voga uma valorização das exceções e das minorias. É delas que vamos retirar a força de querer um pouco e ainda mais e mais. Apesar de serem uma exceção até na hora de serem sentidas, admiraremos que foi somente lá (nestes estranhos e belos lugares) que conseguimos ser aquilo (mesmo que minimamente) que sempre quisemos ser.


"Antes ser relevo, prefiro ser sombra."

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Teoria das Situações Tecnológicas

Eu poderia aqui criticar nossa dependência perante as tecnologias criadas e "difundidas" nos últimos 15 anos (me impressiono com o verdadeiro caos que se instaura quando a internet está fora do ar ou o celular fora de rede; até parece que as pessoas não sabiam o que era viver antes de existirem estas pragas), mas não é isto que pretendo fazer. O que me chama a atenção neste instante são as situações bizarras que o mundo moderno e suas tecnologias nos proporcionam...

As relações virtuais.
Com certeza já temos uma boa quantidade de estudos sobre elas, e certamente a proporção aumentará ainda mais, já que a medida em que o tempo passa novas relações são criadas, através dos mais diferentes meios.
Penso hoje como as pessoas se olham e conversam através de imagem e som em tempo real.
Você conversa com o computador e namora uma webcam... Ficar olhando de forma doce e carinhosa para uma lente revestida por plástico, há coisa mais estranha? Imagine se um dia as pessoas começarem a relação assim, e quando se olharem frente a frente, olho no olho, elas desistirem de terem algo, pois percebem que gostavam mesmo era de olhar para essas máquininhas frias; notam que são apaixonadas pelo meio e não pelo fim (de comunicação). Será isso tão absurdo?

Várias vezes eu já estava andando na rua e ao passar por uma pessoa, ou parar para atravessar a rua ao lado de alguém, ouço o indivíduo a falar sozinho, em alto e bom som. De início tomo um susto (pois pensava que a pessoa se dirigia a mim) e depois fico inutilmente feliz de ter encontrado mais um companheiro de conversas solitárias (*ver o primeiro post da história deste blog)... Mas é com grande pesar que noto que a pessoa simplesmente fala ao telefone celular, vejo também que ela está com um fone de ouvido bem discreto. Antes fosse um mp3 player e ela estivesse a cantarolar...

Posso agora tentar fazer uma projeção futura, misto de Darwin com George Orwell, onde os celulares e as webcam já começam a fazer parte do corpo humano, como matéria orgânica mesmo. Os celulares farão parte do rosto humano, já na posição exata para se falar e ouvir, posso até enxergar já uma beleza-padrão: quanto mais fino e arrebitado o celular da pessoa mais atraente ela é. As webcams sairão de nossos dedos mindinhos, de forma a facilitar o manuseio, e possuirão um nervo com ligação direta ao cérebro.


"Então fui acariciando-a e subindo através de seu cabo tão delicadamente ligado ao computador, foi aí que cheguei até seu foco ocular e lambi com intensidade sua bela e límpida lente."

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Teoria de um Sonho

Os Sonhos pra mim sempre foram, e são, parte fundamental de quem somos e de quem seremos. Desde que me entendo por gente (me entendo por gente?) valorizo o que se passa quando estou de olhos fechados, em outra esfera de (in)consciência. Espero em breve postar algo especificamente sobre este assunto, mas enquanto isso...

Esta noite passada sonhei. Passei o dia sem me lembrar de nada, foi quando a pouco tempo me recordei de apenas um trecho da minha breve história onírica.

Eu estava navegando pela internet e resolvi acessar meu blog. Foi quando tive uma grande surpresa e fui pego de assalto: meu blog havia sido invadido por outros.
A medida em que eu rolava a página observava posts alheios, em sua maioria (pelo que me lembro) compostos por textos de blogs amigos.

Há algum tempo já não posto nada por aqui e parece que a minha ausência fez com que meus amigos, que não se mantiveram ausentes, começassem a me substituir com suas próprias palavras e idéias.

Achei isso tudo muito estranho, mas ao mesmo tempo bem interessante.

Posso dissertar acerca de inúmeras hipóteses (algumas até já mencionadas por aqui): eu sou um outro, eu sou vários, as pessoas que me cercam me compõem, choque de forças, e assim por diante...

Mas ao que mais me apeguei foi justamente a questão da minha ausência. Senti que deveria continuar, que escrever aqui se tornou uma necessidade. Mas agora sei também que, mesmo que não continuasse a escrever, a rede na qual me tornei parte continuaria a ser tecida, seus rizomas continuariam em plena proliferação, mesmo que não diretamente por meus dedos.

Então reinicio a partir deste a tecer meus meandros teóricos e práticos. Espero continuar a fazer parte de uma rede viva, em plena e constante reprodução.


"E vamos fazendo a nossa própria sorte."