Muitas vezes passamos por situações curiosas: sejam de alegria, desconforto, embaraço ou catarse.
Nestes momentos o tempo parece se tornar praticamente estático, a impressão é de que aquele sentimento perturbador nunca passará. Ele passa, porém de uma maneira peculiar.
Para mim o que acontece é que estes momentos ficam como que congelados, presos em cubos de gelo (de tamanhos variados). Estes cubos de gelo ficam armazenados não em nossa memória, mas sim em algum tempo e espaço inexistente para nós, ou seja, que não podemos tocar nem se fazer sentir.
O mais curioso é que quando as situações passam pelo processo de congelamento elas carregam tudo consigo, numa espécie de grande varredura. Não se congela apenas o sentimento, seja ele de qual natureza for, você próprio é congelado. A pessoa que você estava sendo naquele exato instante é capturada.
A grande reviravolta vem quando os cubos de gelo derretem.
Esse momento pode vir sem mais nem menos. Basta algo ou alguém fazer lembrar aquela situação que fez tudo congelar.
Violentamente você passa a sentir tudo que havia sido guardado ali, no mais gélido espaço, e que você realmente havia esquecido. Não apenas o tema volta a ser abordado e trazido de uma espécie de vácuo, você também volta a ser aquela pessoa que era quando passara por aquela situação. Se você era ainda um bebê é bem capaz que vá começar a chupar o dedo e emitir onomatopéias irreproduzíveis no presente. Se era adolescente é capaz que volte a ficar absurdamente tímido, além de voltar a sentir o aparelho preso em seus dentes. Seus trejeitos, atitudes e tiques retornam.
Quando tudo se passa, e o cubo de gelo volta a seu estado e lugar usual, você sente que passou por algo bem estranho, se desgrudou de si para depois retornar.
Acho que as pessoas chamam comumente isto tudo de trauma. Mas esta palavra é muito pesada e negativa. Por isso não considero estas situações dos cubos de gelo como traumas, pois me refiro aqui não necessariamente a situações ruins e dolorosas.
"E se o real nada mais for do que o irreal da irrealidade?"
terça-feira, 31 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
Teoria da Discreta Alteração
Sabe quando você entra em um lugar, para passar uma tarde por exemplo, e quando sai parece que o mundo já não é mais o mesmo?
Em um intervalo de tempo o curso das coisas se alterou. Um leve movimento dos planetas fora das órbitas. Uma pequena geleira que se soltou no polo sul. Um sopro de vento que acabou com o que ainda sobrava de um pequeno relevo de terra.
Alguma coisa aconteceu.
Me parece que essa sensação é especial. Você sai para o mundo e sente que há algo de diferente nele. Na verdade não é o mundo que sorrateiramente mudou, é sim você.
Passei uma tarde insuportavelmente quente retirando álbuns de fotos de um baú (daqueles bem antigos, que parecem realmente terem sido feitos para guardar tesouros perdidos).
Observei e observei. Atentamente. Histórias passando como que na velocidade da luz por minha visão, situações e acontecimentos dos quais não participei, pois nem possível ainda era para mim a vida. Mas de alguma forma não deixei de me ver ali. E o que sou além do acaso da junção de dois seres que resultou em uma combinação de genes que por sua vez também surgiram de uma combinação, e assim por diante até o primeiro homo sapiens... Não há como ter noção desses atos...
Quando sai para o mundo, não era só o intenso calor que havia se dissipado (o céu agora estava todo cinza)...
Minha percepção sofreu alguma distorção, e a partir disso já não pude mais ver o mundo como costumava ver.
"Quem perde sabe o que quer."
Em um intervalo de tempo o curso das coisas se alterou. Um leve movimento dos planetas fora das órbitas. Uma pequena geleira que se soltou no polo sul. Um sopro de vento que acabou com o que ainda sobrava de um pequeno relevo de terra.
Alguma coisa aconteceu.
Me parece que essa sensação é especial. Você sai para o mundo e sente que há algo de diferente nele. Na verdade não é o mundo que sorrateiramente mudou, é sim você.
Passei uma tarde insuportavelmente quente retirando álbuns de fotos de um baú (daqueles bem antigos, que parecem realmente terem sido feitos para guardar tesouros perdidos).
Observei e observei. Atentamente. Histórias passando como que na velocidade da luz por minha visão, situações e acontecimentos dos quais não participei, pois nem possível ainda era para mim a vida. Mas de alguma forma não deixei de me ver ali. E o que sou além do acaso da junção de dois seres que resultou em uma combinação de genes que por sua vez também surgiram de uma combinação, e assim por diante até o primeiro homo sapiens... Não há como ter noção desses atos...
Quando sai para o mundo, não era só o intenso calor que havia se dissipado (o céu agora estava todo cinza)...
Minha percepção sofreu alguma distorção, e a partir disso já não pude mais ver o mundo como costumava ver.
"Quem perde sabe o que quer."
terça-feira, 3 de março de 2009
Teoria da Expressão Inteligente
Aprendi que a melhor maneira de evitar a estupidez é responder com expressões faciais e nada mais.
Um leve levantar de sobrancelhas, ou ainda um simples movimento labial (tímido sorriso) e a expressividade do olhar são as melhores atitudes a serem tomadas perante a estupidez e a ignorância.
Porque, no fundo, o estúpido e/ou ignorante não quer uma resposta, quer sim mais um tapinha nas costas (caso do acordo concordante) ou uma resposta atravessada (caso da rivalidade) que lhe faça se impor, estufar o fétido peito e sentir que sabichão alguma coisa do mundo, que ele sempre chama de Verdade.
A resposta esperada pelo ignorante sempre é de ordem oral: falação, falação e falação, ou o famoso blá blá blá.
Tudo que ele quer é isto, pois só assim pode demonstrar sua incrível e interminável fonte de boçalidade.
Deixemos eles então discutindo sozinhos.
"Fingir de morto é ser feliz e dar risada."
Um leve levantar de sobrancelhas, ou ainda um simples movimento labial (tímido sorriso) e a expressividade do olhar são as melhores atitudes a serem tomadas perante a estupidez e a ignorância.
Porque, no fundo, o estúpido e/ou ignorante não quer uma resposta, quer sim mais um tapinha nas costas (caso do acordo concordante) ou uma resposta atravessada (caso da rivalidade) que lhe faça se impor, estufar o fétido peito e sentir que sabichão alguma coisa do mundo, que ele sempre chama de Verdade.
A resposta esperada pelo ignorante sempre é de ordem oral: falação, falação e falação, ou o famoso blá blá blá.
Tudo que ele quer é isto, pois só assim pode demonstrar sua incrível e interminável fonte de boçalidade.
Deixemos eles então discutindo sozinhos.
"Fingir de morto é ser feliz e dar risada."
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