terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Teoria sobre as Teorias

Talvez este seja o texto que sinto mais desembaraço e segurança em escrever. Isto não é necessariamente bom, mas ao menos me deixa tranquilo.

Esta teoria versa sobre o que penso que são minhas teorias. Hoje será metalinguagem pura.
Pensei já várias vezes em tentar escrever sobre o que é, e pode ser, uma Teoria.

Uma Teoria pressupõe um método.
Penso isto tomando por base a idéia que desenvolveu Descartes, através do seu pensamento cartesiano, que visava criar um único método que pudesse resolver todas as questões existentes no universo.
Acho que logo de início já posso refutar esta intenção em mim, porque não possuo um pensamento cartesiano, longe disso, coisas unas definitivamente não funcionam comigo.

Ao pensar sobre a máxima central do método parei para perceber então qual é o método que utilizo para escrever minhas próprias teorias.

Meu pensamento se dá de maneira fulgaz, através de lampejos, insights, e a partir deles me concentro por um pequeno período de tempo neles, para transportá-los e codificá-los em escrita.
Estas teorias que construo são muito mais da ordem de uma espécie de livre associação, de pensamento solto, que transita por minhas experiências e minhas sensações no mundo.

Vejo elas mais como exercícios para o pensamento e a escrita. Se forçar a ir além e um pouco mais. Rascunhos de sinapses despretensiosas.

Não intento aqui criar um pensamento filosófico, mas notei que o que faço nada mais é do que uma espécie de Dadaísmo Filosófico.
E acredito ser um bom começo.


"Palavras são também atos."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Teoria da Utilidade

Muitas das teorias aqui já colocadas (e posso dizer com certeza que futuras também) dizem respeito a demônios, aos demônios do ser humano no séc.XXI. Sim, são tormentas de minha persona, mas acredito ser fato que outros seres passem por e sintam as mesmas coisas. As pestes estão à solta.
Talvez a expressão escrita seja efetivamente uma boa forma de exorcizar estas terríveis criaturas que insistem em nos rondar...

Neste instante vou escrever sobre mais uma sombra (que não a de nosso corpo) que nos espreita. A sombra da obrigação de utilidade.

O que é ser útil? O que significa isso nos dias atuais?
Temos que servir para algo concretamente, mas o que é concreto?

Qual é este sentimento que nos faz sentir úteis?
Identifico este como um sentimento capitalista (mas não capital). Somos forçados a fazer parte da engrenagem, de ser mais um parafuso que fará a máquina funcionar, sempre. Do contrário seremos mais um "inútil".
Em todas as áreas em que atuamos somos sempre forjados a pensar desta maneira, transmitindo-nos a impressão de que nada pode vir da ordem da intuição, o acaso é mais um prisioneiro, é expressamente necessária a existência de um por quê, as escolhas tem de ser sempre precisas e justificáveis segundo uma lógica matemática e "correta", exata.

Devido a esse tipo de pressão alguns argumentos de defesa-ataque já foram criados no passado, exemplo: ócio criativo.

Pensei há algum tempo em escrever um Manifesto em defesa das respostas "Porque sim" e "Porque não", mas acho que isto é algo que ainda tenho que pensar muito mais a respeito.

Na verdade o que entendo é que este sentimento de utilidade nunca parte de nós, internamente. Ele é sim um sentimento especificamente externo, que vem de fora, que nos é incrustado. A noção de utilidade nos é enfiada goela abaixo.
Portanto, antes de mais nada, pense: será que quero ser útil?


"O pragmatismo nada mais faz do que projetar no plano filosófico a avidez que, em tudo o que interessa, impulsiona o americano para a aplicação utilitária."