terça-feira, 28 de outubro de 2008

Teoria das Verdadeiras SAs

Existem em nosso mundo alguns clãs que são criados em silêncio, nos subterrâneos. São grupos que não possuem restrições, nem preconceitos, e que a única ordem é a do não-excluir.

Um exemplo destes é o que chamo de "A Irmandade do Trâfego".

Em momentos especiais no trânsito parece que todos querem se ajudar de qualquer maneira e sem precedentes.
Você já reparou na reação das pessoas quando elas percebem a porta de um outro carro aberta? Faz-se o maior estardalhaço só para avisar um outro motorista de que uma das portas de seu veículo está aberta (e muitas vezes não há ninguém sentado ao lado do suposto perigo). A pessoa avisada toma quase sempre um grande susto, pois já acha que será furtada ou que será xingada por alguma barbeiragem, o que acontece muito mais comumente.
Outro ato desta irmandade é percebido através das rodovias do país.
Quando há alguma blitz policial, ou um acidente a frente, todos sinalizam exageradamente uns aos outros, para alertar seus companheiros. Quando se trata de burlar a lei nesse caso, todos parecem dar as mãos.

Penso como são curiosas estas verdadeiras Sociedades Anônimas...
Tenho a impressão de que até um nazista e um punk se ajudariam nestes casos. Com certeza também os serial killers e os estupradores já foram avisados de que as portas de seus veículos estavam abertas ou de que havia uma blitz lhe esperando a frente.

É claro que as pessoas não tem como saber das personalidades das outras, mas creio que o que ocorre é que todos passam a ser apenas motoristas uns aos outros, e nada mais. Deixam de existir em todas as outras esferas possíveis. Todos fazem as suas medíocres máscaras morais caírem!


"É indizível o quanto de dor, pretensão, dureza, estranhamento, frieza, penetrou assim no sentimento humano, por se pensar ver oposições em lugar das transições"

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Teoria da Idade do Plástico

Todo esse pensamento se iniciou de mais uma conversa minha comigo mesmo (*ver primeiro post deste blog) acerca de um curta-metragem, o "Tempestade!" (http://tvtribuna.wsoma.com/curtasantos2008/videos.asp?idVideo=41). A primeira impressão é de que este curta é um ensaio sobre a visão, mas para mim ele é algo mais, um ensaio sobre os sentidos. Em alguns momentos até podemos voltar nossa atenção mais para a questão da visão, porém daí será não apenas para pensar uma visão física, mas sim também uma visão de mundo.

Notei, através deste brainstorming sobre o curta, que perdemos já há algum tempo o estatuto de sociedade dos sentidos, e que hoje nos contentamos em ser apenas a sociedade da imagem.

Pelos meus caminhos em direção ao trabalho, às aulas e pra onde quer que eu vá (não tenho carro, nem moto, nem tampouco bicicleta, por isso ando, e gosto bastante disso)
vejo muitas bancas de jornal e sempre fico a me perguntar o quão absurdas são as imagens que estão expostas ao nosso pobre olhar. As capas de revistas.
Cabelos ao vento, peles perfeitamente lisas e incolores (as cores são sempre tão homogêneas que se tornam híbridas), corpos esbeltos e delineados, e o gran finale de um sorriso na cara que só pode me deixar de um jeito: deprimido.

Podemos facilmente encontrar pela internet imagens que ilustram e comparam fotos da maneira como foram capturadas mesmo, e estas mesmas fotos depois de passarem por um "tratamento" (tenho o cuidado das aspas, pois na verdade este é um tratamento que só trata de deturpar terrivelmente tudo). Sinceramente, sempre prefiro a foto crua, sem nenhuma interferência virtual.
(Uma teoria que ainda estou por escrever, e que acho fortíssima, é justamente aquela em que dissertarei sobre o "amar as imperfeições", mas deixemos este caldo apurando por mais algum tempo...)

Pensei neste aspecto da digitalização da imagem, mas podemos ainda pensar em todo o processo pelo qual as pessoas passam até serem estampadas em uma capa de revista: maquiagens, retoques, cabeleireiros, um botóx, 300ml de silicone, uma diminuição de naso, e a lista vai aumentando......

O que me fez ter um estalo desta vez foi vislumbrar como nos movimentamos em uma só direção: tornar o ser Humano de plástico.
Tudo isto me leva a concluir que vivemos na Idade do Plástico, e que a mais terrível invenção do Homem não foi outra senão este maldito composto no qual queremos nos espelhar cada vez mais.


"Ah que saudade da Idade da Pedra!..."

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Teoria das Hiper-Variações

Comecei esta teoria procurando saber o que era mais rápido: o hiper ou o ultra.

Cheguei apenas a uma resposta de ordem gramatical que não me agradou, então resolvi escolher a expressão que mais me atraia sonoramente: hiper.

Mas esta teoria não trata especificamente de velocidade, mas sim de uma velocidade em especial: a velocidade com que o ser Humano altera e varia seus sentimentos e humores.

No senso comum ouve-se a expressão "de lua", mas acho que nossos estares se alteram muito mais do que as formas que a lua toma durante um mês.

O que ocorrem nos humanos são as já ditas flutuações da alma.

E como é tola a busca por uma constância que nunca virá, uma harmonia que só é encontrada na medida em que buscamos nos equilibrar nos mais variados polos existentes, obter o prazer e a excitação desejada tanto no amor como na aversão, no repudio.

É fácil identificar como e quando alguém sente prazer com um sentimento como o amor, pois estamos muito ligados à uma noção de "bem-estar", o desafio está em notar quando começamos a sentir prazer com nossas aversões, repudios e até tristezas.
Poucos conseguem admitir que passaram tanto tempo numa verdadeira foça, que esta passou a ser seu mais aconchegado lar. É como se não soubesse mais agir do lado de fora... Daí certo dia percebe que consegue, mas então já é possível se lembrar como outrora se sentiu confortável estando triste.

Não posso deixar de lembrar agora de um exemplo de quem percebeu o "bem-estar" em várias esferas: "i miss the confort in being sad"...


"Se sentirmos ao mesmo tempo amor e aversão experimentaremos a paixão chamada Flutuação da Alma"

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Teoria da Hora Sem Nome

Você já olhou pela janela e de repente não sabia que horas eram, nem onde estava?

Um momento em que definitivamente não é possível denominar e identificar as horas - A Hora Sem Nome.

Quando o dia fica cinza, escuro, e parece que uma tempestade está a caminho.
Uma verdadeira suspensão do tempo.

Um breve instante de desconhecimento. Você se vê perdido, solto, sem chão.

Me parece que essas são exatamente as horas certas para se criar! Ir à luta, correr desatinadamente em liberdade pelas ruas. Sair em busca do que nunca seria encontrado no ponteiro dos relógios, pois a hora certa nunca será encontrada neles...

Não é a toa que quando pensamos num apocalipse, num dia final para a humanidade, imaginamos um dia escuro, a população tomando as ruas, correndo desesperada para todos os lados. Quem se importa com as horas nesse momento? Só o que sabemos é que elas vão acabar, então trate de aproveitar, pois não há tempo.

Talvez só quando estamos perdidos é que podemos nos dedicar com mais força àquilo que realmente queremos por em prática.
Portanto, aproveite sua indefinição, saboreie suas dúvidas.


"Pensava ter encontrado um porto, mas me vi novamente atirado em alto mar"