A paixão nada mais é do que uma miniatura interna da pessoa que nos cativa.
Criamos e alimentamos pequenas criaturas dentro de nós.
E até que uma nova paixão surja, e consequentemente outra miniatura, ficamos a alimentá-las. Como se fossem mesmo uma espécie de feto, mas que nunca chega a ser parido. Elas nascem, crescem, adoecem, minguam e morrem sem nunca serem expelidas. Somos efetivamente hospedeiros dessas parasitas.
A grande questão é quanto alimentamos nossas miniaturas; se demais elas crescem vertiginosamente, podendo até nos engolir. Daí então nós é que viramos as miniaturas... E o pior: miniaturas diante do mundo.
Por isso uma frase que sempre tento profetizar (e permita-me deixar bem claro que sempre tenho o cuidado de pronuncia-la sem nenhum apelo megalomaníaco ou egóico): "Somos maiores do que tudo isso". Isso porque muitas vezes nos tornamos corcundas, encolhemos...
Acho que é possível sustentar mais de uma miniatura dentro de si, mas sempre atente a quanto as alimenta. Outro cuidado: não ir criando e deixando vivas muitas miniaturas, pois assim é capaz de você se tornar total refém delas... Como milhares de formigas que juntas podem te carregar pra onde bem quiserem.
Apesar de todos esses perigos sou fiel criador de miniaturas. Não me canso de criá-las. E quando não há como, fico inquieto.
Nova questão: quanto desta miniatura é realmente parte da figura original; terão elas (miniatura e versão grande) efetivamente alguma relação?
Enfim não quero entrar em mitos, muito menos em cavernas...
"Alimentarei sua miniatura pelo resto do meu viver"
terça-feira, 12 de agosto de 2008
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6 comentários:
Muito boa essa teoria...
A coisa mais fácil é ser engolido por elas...E aí, vira uma luta bem complicada até de vencer...
Supervivamos.
Supervivamos
Esse é sempre o mote maior.
Acho que o grau de relação da minatura com a original depende do grau da nossa influência na criação da miniatura.
Por muitas vezes criamos miniaturas sozinhos, e por outras, essas miniaturas simplesmente nos invadem. Estas sim mantêm relações diretas, porque saíram da original.
As que criamos podem ser cópias adulteradas.
Ta na hora do remédio pessoal.
Hora da medicação...
Por que vc gostaria que não houvessem estratégias para o amor ???( de um dos comentários da cerca...)
Como ocorre de fato???
Bom acho complicado dizer o que ocorre de fato, afinal não emito verdades.
Mas eu comentei isso porque "os jogos do amor" sempre me irritam demais. E esse lance de estratégia me lembra coisas ligadas à uma engenharia, um marketing, ou seja, coisas demasiadamente racionais, traçadas com objetivos claros, metas, gráficos, planinhas, enfim...
Pra mim o amor é muito mais da ordem do irracional, do sincero.
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