Vira e mexe nos deparamos com algumas notícias que invadem, como um tsunami, o universo midiático-jornalístico.
Um acontecimento que detém praticamente 100% da atenção de toda a população, em todo lugar que vamos ouvimos falar disto, seja esperando o ônibus, na fila do banco ou sentado em frente ao computador no trabalho. Um dos fatores que ajuda para a proliferação dessas conversas sobre "mais do mesmo" são os jornais, o rádio, a televisão, a internet...
Esse ciclo vicioso de notícias me lembra bastante outro ciclo: o comercial. A cada ano o comércio divide seu calendário em datas específicas e ininterruptas, para assim evitar que as pessoas em dado momento do ano parem de consumir. Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, Dias dos Pais, Dias das Crianças, Natal, Ano Novo e qualquer outro que podemos encaixar nesta linha capital.
O Jornalismo parece seguir um ciclo parecido, sempre em busca de uma notícia absurda e chocante para tapar os burracos e não deixar as pessoas desnutridas de alimento doentio.
Sempre me perguntei: O que é o Jornalismo?
Nunca cheguei a uma resposta satisfatória. Em conversas com um amigo jornalista sempre caímos na questão da imparcialidade, de que o problema central do Jornalismo é procurar sempre atingir um patamar que, em verdade, lhe é impossível.
Acho que o grande desafio do jornalista é procurar com todas suas forças não se tornar um imbecil (e não seria também um desafio de todos?), mas me parece ser este um ofício que torna mais fácil a possibilidade de se cair nas tocaias da boçalidade.
Percebo hoje que a pergunta que devo fazer é: O que fazem do Jornalismo?
Vejo como o jornalismo está nos dias de hoje, mais ou menos assim; como uma espécie de ser que espreita, rói as unhas, baba, suplica por uma próxima notícia que chocará a todos. São serial killers, pedófilos, sequestradores, mutiladores e toda forma de ação bruta, visceral e odiosa sendo colocada em voga e em relevo diariamente.
Estamos com estas notícias atingindo mesmo momentos em que o Jornalismo parece desaparecer por completo, dando lugar a um Fetiche Jornalismo.
E já chegamos a um ponto de não-discernimento, quase não conseguimos distinguí-los, como se a partir destes últimos tempos o Jornalismo tenha se tornado já em si fetichista. Faz parte de uma ontologia.
É como digo: quando um cruel assassinato faz mais estardalhaço do que um poema, já não sei se temos salvação.
Sei que esta questão é mais uma que deve ser nuançada, mas estes escritos são como rascunhos, como pequenas cartografias para pensamentos e ensaios por vir.
"Vivemos mesmo o Tempo dos Assassinos"
terça-feira, 18 de novembro de 2008
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2 comentários:
Gostei da citação final. E de todo o resto também. Alguém precisa fazer alguma coisa contra esses babacas: "Vamos matá-los!!!" (Carandi-RU, Ies03)
Achei você fi, de agora pra frente eu passo por essas bandas. Abx
Ps. ah, por favor só não critique os fetiches. Eles são mais-do-que-contemporâneos, um campo de pesquisa bem interessante... rss.
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