terça-feira, 10 de março de 2009

Teoria da Discreta Alteração

Sabe quando você entra em um lugar, para passar uma tarde por exemplo, e quando sai parece que o mundo já não é mais o mesmo?
Em um intervalo de tempo o curso das coisas se alterou. Um leve movimento dos planetas fora das órbitas. Uma pequena geleira que se soltou no polo sul. Um sopro de vento que acabou com o que ainda sobrava de um pequeno relevo de terra.

Alguma coisa aconteceu.

Me parece que essa sensação é especial. Você sai para o mundo e sente que há algo de diferente nele. Na verdade não é o mundo que sorrateiramente mudou, é sim você.

Passei uma tarde insuportavelmente quente retirando álbuns de fotos de um baú (daqueles bem antigos, que parecem realmente terem sido feitos para guardar tesouros perdidos).
Observei e observei. Atentamente. Histórias passando como que na velocidade da luz por minha visão, situações e acontecimentos dos quais não participei, pois nem possível ainda era para mim a vida. Mas de alguma forma não deixei de me ver ali. E o que sou além do acaso da junção de dois seres que resultou em uma combinação de genes que por sua vez também surgiram de uma combinação, e assim por diante até o primeiro homo sapiens... Não há como ter noção desses atos...

Quando sai para o mundo, não era só o intenso calor que havia se dissipado (o céu agora estava todo cinza)...
Minha percepção sofreu alguma distorção, e a partir disso já não pude mais ver o mundo como costumava ver.


"Quem perde sabe o que quer."

Um comentário:

Paula disse...

ou "quem sabe perder sabe oq quer"