terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sem Teoria

Erupções me impedem.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Teoria dos Climas

Recentemente minha avó mudou de casa.
De início a mudança não foi muito bem assimilada (quando temos 84 anos talvez estejamos cansados de movimentos bruscos), ela parece até ter emagrecido, enfraquecido um pouco. Provavelmente desprendeu uma energia que estava estocada na reserva, algo que não achava que precisaria utilizar, mas precisou.
Porém algumas coisas acontecem e mudam nossas perspectivas, não importa quanto anos contamos, as surpresas nunca param de agir.

O novo apartamento da minha vó possui uma sala longa, estreita, mas longa. No final dela há uma janela, que de manhã abre alas para o sol que vem surgindo no céu, acordando como nós. Percebi como este é um apartamento iluminado (e não apenas no sentido físico).

Isto me fez pensar sobre os climas, as temperaturas, como o sol e a chuva, o calor e o frio influem em nossos humores e estimas.
Me imaginei acordando bem cedo no apartamento, caminhando em direção a cozinha ainda como um sonâmbulo e sentindo no rosto os primeiros raios incidentes do dia. Que vontade senti de viver! Apenas por pensar nestes breves momentos iniciais do dia em que posso ser atingido pelas luzes do sol.
Percebi que não importa o quanto tenha que fazer no dia, o quão inútil serão algumas tarefas que terei que cumprir, o quão cedo acordei e o quanto pouco dormi. Quando o sol me atinge não xingo o mundo.
Nesse caso o sol é pura vivacidade, afirmação da vida. Um irrefutavél querer viver.

Pensei depois na chuva, como ela pode te fazer pular de alegria, mas como também é mais pura introspecção, serenidade e pensamento.

O sol e chuva ao mesmo tempo então... São acontecimentos raros em que as forças se trespassam, deixando rastros de encanto e frenesi.

No verão as pessoas parecem ficar mais bonitas, encantadoras (o que é bem sedutor), e no inverno elas se mostram misteriosas, indecifráveis (o que também é bastante sedutor).
E é digno de grande felicidade perceber que durante todo o decorrer do ano a sedução pode estar garantida.


"Esperando pelos próximos choques térmicos do espírito."

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Teoria Porteña II

Estes últimos dias comprovaram como estas teorias em algum momento, mesmo que em resquício de poeira cósmica, fizeram sentidos.
Senti boa parte delas nestes dias em que estive ausente de terras brasileiras.

Aos erros inconsequentes e inconscientes mais sábios que já cometi.
Saúdo esta viagem que apesar de ter terminado nunca cessará de reverberar em mim seus cantos e sopros de vida.


"Um brinde às conversações que nos fazem querer um pouco e ainda mais!"

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Teoria Porteña I

Me ocorreu que nunca serei uma menina argentina.
Serei sempre só eu.


"Nossas ações surgem de nossa própria ficção"

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Teoria do Fetiche Jornalismo

Vira e mexe nos deparamos com algumas notícias que invadem, como um tsunami, o universo midiático-jornalístico.
Um acontecimento que detém praticamente 100% da atenção de toda a população, em todo lugar que vamos ouvimos falar disto, seja esperando o ônibus, na fila do banco ou sentado em frente ao computador no trabalho. Um dos fatores que ajuda para a proliferação dessas conversas sobre "mais do mesmo" são os jornais, o rádio, a televisão, a internet...

Esse ciclo vicioso de notícias me lembra bastante outro ciclo: o comercial. A cada ano o comércio divide seu calendário em datas específicas e ininterruptas, para assim evitar que as pessoas em dado momento do ano parem de consumir. Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, Dias dos Pais, Dias das Crianças, Natal, Ano Novo e qualquer outro que podemos encaixar nesta linha capital.
O Jornalismo parece seguir um ciclo parecido, sempre em busca de uma notícia absurda e chocante para tapar os burracos e não deixar as pessoas desnutridas de alimento doentio.

Sempre me perguntei: O que é o Jornalismo?
Nunca cheguei a uma resposta satisfatória. Em conversas com um amigo jornalista sempre caímos na questão da imparcialidade, de que o problema central do Jornalismo é procurar sempre atingir um patamar que, em verdade, lhe é impossível.
Acho que o grande desafio do jornalista é procurar com todas suas forças não se tornar um imbecil (e não seria também um desafio de todos?), mas me parece ser este um ofício que torna mais fácil a possibilidade de se cair nas tocaias da boçalidade.

Percebo hoje que a pergunta que devo fazer é: O que fazem do Jornalismo?

Vejo como o jornalismo está nos dias de hoje, mais ou menos assim; como uma espécie de ser que espreita, rói as unhas, baba, suplica por uma próxima notícia que chocará a todos. São serial killers, pedófilos, sequestradores, mutiladores e toda forma de ação bruta, visceral e odiosa sendo colocada em voga e em relevo diariamente.

Estamos com estas notícias atingindo mesmo momentos em que o Jornalismo parece desaparecer por completo, dando lugar a um Fetiche Jornalismo.
E já chegamos a um ponto de não-discernimento, quase não conseguimos distinguí-los, como se a partir destes últimos tempos o Jornalismo tenha se tornado já em si fetichista. Faz parte de uma ontologia.

É como digo: quando um cruel assassinato faz mais estardalhaço do que um poema, já não sei se temos salvação.

Sei que esta questão é mais uma que deve ser nuançada, mas estes escritos são como rascunhos, como pequenas cartografias para pensamentos e ensaios por vir.


"Vivemos mesmo o Tempo dos Assassinos"

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Teoria dos Óculos de Lua

No início do século XX foram criados os óculos de sol. Dizem por aí que eles começaram a ser popularizados através das primeiras estrelas do cinema mudo.
Noto que eles nasceram com um certo ar de superioridade, de pose. Até hoje o significado mais recorrente dos óculos de sol é esse.
Quantas vezes vemos pessoas em ambientes fechados, ou até mesmo de noite os trajando?
Os óculos de sol estão fadados à imagens superficiais, que tratam sempre de esconder algo (nem que seja os olhos da intensa claridade), de dissimular.

Então proponho hoje, no início do século XXI, uma revolução: a criação dos Óculos de Lua.

Os óculos de lua (para tristeza dos tarados e pervertidos de plantão) não serão como aqueles em que se pode ver tudo e todos, por exemplo a roupa de baixo das pessoas. Estes novos acessórios nos farão enxergar um outro tipo de vestimenta humana, muito mais íntima do que qualquer outra.

Eles possuirão quase que vontade própria. Diferentemente dos óculos de sol, os óculos de lua não veem o que nossos olhos querem, o que lhes ordenamos, eles mostram o que está efetivamente à luz da vista, apesar de nos negarmos a enxergar. Os óculos de sol impõem um significado para quem os traja e para quem observa quem os está trajando, os óculos de lua não. Seus sentidos são vários, e a cada momento eles nos mostram uma novidade, como se fossem mesmo caleidoscópios de signos.

Os óculos de lua não ligam a mínima se vão te magoar ou te fazer regojizar. Para eles não importa, eles apenas mostram.

Só precisamos ficar bem atentos, porque o uso diário destes acessórios causará dependência. Será uma avalanche tão grande de espontaneidade e sinceridade que talvez não daremos conta. Se já não conseguimos lidar direito com nossos entendimentos e suposições, o que dizer então de verdadeiras rajadas de realidade em nossa cara?

Bem, o conceito geral está criado, só ainda não pensei em formas, como eles seriam, quais modelos poderiam existir... Mas estou aberto a sugestões. Quem quiser desenvolvê-los melhor comigo, sinta-se à vontade.


"Ponha seus óculos de lua e vamos viajar"

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Teoria dos Seres Múltiplos

Há uns tempos atrás li um livro. "Caminhada" do Hermann Hesse.
Peguei esse livro na casa da minha vó, ela se desfez de várias coisas e disse que eu poderia pegar o que quisesse. Peguei alguns livros e discos. Esse livro foi um deles.
Logo que o abri vi uma dedicatória.
Minha mãe deu esse livro pro meu pai quando eles ainda namoravam... Vou reproduzir aqui o que ela escreveu:

"Marcus,

... Nada mais organizado,
daquilo que o amor organiza.
... Nada mais livre
daquilo que o amor une.

Quero que você seja o namorado mais livre e amado que existe.

Sandra, 12-06-1978".


Fiquei um pouco emocionado e bem apreensivo com estas palavras, e mais...
Fiquei pensando como a vida é múltipla em vários sentidos - amor, afeto,
Como é louco isso. Minha mãe vai se enxergar de alguma forma nessas palavras, mas com certeza vai observar também que essa é uma Sandra que ficou pra trás, que morreu de certa maneira, que não existe mais, e que não é mais ela.
Eu sempre pensei muito sobre essa questão: vivemos e morremos milhares de vezes dentro de nossas vidas, somos milhares ao mesmo tempo, sem nem ao menos perceber...

Uma situação que explica a existência de milhares num só é como para cada pessoa, para cada humor somos um singular.
Com algumas pessoas somos rudes, austeros e dominadores; com outras somos leves, inofensivos e tranquilos, é estranho.
Me parece que as forças de cada ser entram em um incessante digladiar entre si, e é desse embate que são fecundados os novos seres (não seria também o sexo uma forma de digladiar?).
Se em meu cotidiano travo relação com 44 pessoas sou 44 Ciros. E se em algum momento deixo de ter e perco contato com algum desses seres é como se um Eu morresse, deixasse mesmo de existir.

E esta Teoria é sobre isto: nossas existências múltiplas. Somos humanos, porém também camaleões, sem dúvida (e os biólogos que venham me afrontar há-há!).

Penso ainda em Robinson Crusoé. Ele estava isolado, mas para continuar a viver, a existir, criou mecanismos para gerar novos Eus, novos Robinsons, pois sem eles a vida não seria possível.
De modo que é isso: se queremos nos manter vivos não cessemos nunca de parir e assassinar nós mesmos.


"Talvez o mundo seja habitado por trilhões de pessoas,
e nem nos damos conta disso..."