terça-feira, 2 de setembro de 2008

Teoria da Deficiência Ordinária

Vivemos em um mundo bem estranho.
Elegemos em torno de um senso comum quem são pessoas "conhecidas", "famosas" e quem são pessoas "desconhecidas", "comuns", "ordinárias".

No momento em que "antigos" deficientes (agora portadores de necessidades especiais) adentram um certo ambiente as pessoas quando não tentam disfarçar, observam com olhares oblíquos, avessos, incômodos. (Digo isso usualmente, pois acredito também em olhares comuns, ingênuos e infantis).

Agora, alguém já notou como nos comportamos quando um dito famoso aparece em meio às pessoas comuns?
O mesmo frenesi parece ocorrer.
As pessoas também os olham de forma diversa. O "famoso" é reconhecido pelos desconhecidos, e não há como ele fingir que não conhece essas pessoas, pois mesmo que ele não as conheça, elas certamente o conhecem.
Não há como escapar dos olhares, por isso então digo que os famosos também sofrem de uma deficiência: eles são deficientes de ordinariedade, estão impossibilitados de serem anônimos, comuns.

E aí está o absurdo.
Sempre existiram pessoas que possuissem necessidades especiais, sejam físicas, auditivas, visuais ou etc. Isto é algo intrínseco à humanidade, à natureza.
Já os "famosos" são pura criação Humana, revestida e agraciada (será mesmo uma graça?) com uma aura que a própria sociedade lhes concede. Esta sociedade ínfima da espetacularização, dos ídolos, das celebridades, da busca de um suposto sucesso.

Na verdade, os famosos é que são os verdadeiros deficientes. Os deficientes ordinariais.
Antes nos equivocávamos completamente, denominando assim os que não passam de meros portadores de necessidades especiais...


"Nascer de novo, para não ser famoso"

Nenhum comentário: