Quando não estamos em um lugar ele congela.
A ausência de nossa presença faz com que os acontecimentos e as coisas esperem por nós como estátuas, que só retomam suas ações e seus movimentos quando retornamos ao local.
Sempre lembro do sítio de um amigo, que costumávamos ir em feriados escolares.
Os sofás e camas cobertos por lençóis embolorados e cheios de buracos, os belos móveis de madeira, um cheiro e um ar frio muito peculiares... A casa toda parecia como que absolutamente intacta desde a última vez em que a havíamos deixado. Era mesmo como que não só o espaço, mas efetivamente o tempo permanesse paralisado a partir do momento em que trancávamos a casa e abandonávamos as redondezas.
Até uma bela borboleta de asas azuis que estava em cima de uma cômoda ficou estática, e eu juro que a vi voar pela janela 2 meses depois de voltar ao local, no instante em que abrimos as portas e janelas para arrejar o ambiente.
Hoje vejo que o que estávamos realmente fazendo era arrejando o tempo e o espaço.
Ilustrei a teoria através deste caso porque percebi que é mais fácil entender esta questão quando pensamos em lugares mais leves, solitários. Fica muito mais complexo pensar na avenida paulista ou na wall street totalmente paralisadas após nosso ônibus dobrar uma esquina ou descermos as escada em direção ao metrô.
Mas acontece, tudo pára, pode apostar.
Esta teoria pode também, para os mais desavisados, soar um tanto egocêntrica, mas não é o caso.
O egocentrismo não se reflete nesta situação, a não ser que pensemos em um ego infantil. Se considerarmos as crianças seres egóicos por natureza e excelência, então carimbe esta teoria como egocêntrica, pois tudo aqui é produzido com doses cavalares de ingenuidade. Isso sem contar que a teoria vale para todos. Cada um com seus tempos e espaços.
"Tudo vive em um eterno movimento e repouso, um para o outro, dependendo do referencial"
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário