Existem em nosso mundo alguns clãs que são criados em silêncio, nos subterrâneos. São grupos que não possuem restrições, nem preconceitos, e que a única ordem é a do não-excluir.
Um exemplo destes é o que chamo de "A Irmandade do Trâfego".
Em momentos especiais no trânsito parece que todos querem se ajudar de qualquer maneira e sem precedentes.
Você já reparou na reação das pessoas quando elas percebem a porta de um outro carro aberta? Faz-se o maior estardalhaço só para avisar um outro motorista de que uma das portas de seu veículo está aberta (e muitas vezes não há ninguém sentado ao lado do suposto perigo). A pessoa avisada toma quase sempre um grande susto, pois já acha que será furtada ou que será xingada por alguma barbeiragem, o que acontece muito mais comumente.
Outro ato desta irmandade é percebido através das rodovias do país.
Quando há alguma blitz policial, ou um acidente a frente, todos sinalizam exageradamente uns aos outros, para alertar seus companheiros. Quando se trata de burlar a lei nesse caso, todos parecem dar as mãos.
Penso como são curiosas estas verdadeiras Sociedades Anônimas...
Tenho a impressão de que até um nazista e um punk se ajudariam nestes casos. Com certeza também os serial killers e os estupradores já foram avisados de que as portas de seus veículos estavam abertas ou de que havia uma blitz lhe esperando a frente.
É claro que as pessoas não tem como saber das personalidades das outras, mas creio que o que ocorre é que todos passam a ser apenas motoristas uns aos outros, e nada mais. Deixam de existir em todas as outras esferas possíveis. Todos fazem as suas medíocres máscaras morais caírem!
"É indizível o quanto de dor, pretensão, dureza, estranhamento, frieza, penetrou assim no sentimento humano, por se pensar ver oposições em lugar das transições"
terça-feira, 28 de outubro de 2008
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Teoria da Idade do Plástico
Todo esse pensamento se iniciou de mais uma conversa minha comigo mesmo (*ver primeiro post deste blog) acerca de um curta-metragem, o "Tempestade!" (http://tvtribuna.wsoma.com/curtasantos2008/videos.asp?idVideo=41). A primeira impressão é de que este curta é um ensaio sobre a visão, mas para mim ele é algo mais, um ensaio sobre os sentidos. Em alguns momentos até podemos voltar nossa atenção mais para a questão da visão, porém daí será não apenas para pensar uma visão física, mas sim também uma visão de mundo.
Notei, através deste brainstorming sobre o curta, que perdemos já há algum tempo o estatuto de sociedade dos sentidos, e que hoje nos contentamos em ser apenas a sociedade da imagem.
Pelos meus caminhos em direção ao trabalho, às aulas e pra onde quer que eu vá (não tenho carro, nem moto, nem tampouco bicicleta, por isso ando, e gosto bastante disso)
vejo muitas bancas de jornal e sempre fico a me perguntar o quão absurdas são as imagens que estão expostas ao nosso pobre olhar. As capas de revistas.
Cabelos ao vento, peles perfeitamente lisas e incolores (as cores são sempre tão homogêneas que se tornam híbridas), corpos esbeltos e delineados, e o gran finale de um sorriso na cara que só pode me deixar de um jeito: deprimido.
Podemos facilmente encontrar pela internet imagens que ilustram e comparam fotos da maneira como foram capturadas mesmo, e estas mesmas fotos depois de passarem por um "tratamento" (tenho o cuidado das aspas, pois na verdade este é um tratamento que só trata de deturpar terrivelmente tudo). Sinceramente, sempre prefiro a foto crua, sem nenhuma interferência virtual.
(Uma teoria que ainda estou por escrever, e que acho fortíssima, é justamente aquela em que dissertarei sobre o "amar as imperfeições", mas deixemos este caldo apurando por mais algum tempo...)
Pensei neste aspecto da digitalização da imagem, mas podemos ainda pensar em todo o processo pelo qual as pessoas passam até serem estampadas em uma capa de revista: maquiagens, retoques, cabeleireiros, um botóx, 300ml de silicone, uma diminuição de naso, e a lista vai aumentando......
O que me fez ter um estalo desta vez foi vislumbrar como nos movimentamos em uma só direção: tornar o ser Humano de plástico.
Tudo isto me leva a concluir que vivemos na Idade do Plástico, e que a mais terrível invenção do Homem não foi outra senão este maldito composto no qual queremos nos espelhar cada vez mais.
"Ah que saudade da Idade da Pedra!..."
Notei, através deste brainstorming sobre o curta, que perdemos já há algum tempo o estatuto de sociedade dos sentidos, e que hoje nos contentamos em ser apenas a sociedade da imagem.
Pelos meus caminhos em direção ao trabalho, às aulas e pra onde quer que eu vá (não tenho carro, nem moto, nem tampouco bicicleta, por isso ando, e gosto bastante disso)
vejo muitas bancas de jornal e sempre fico a me perguntar o quão absurdas são as imagens que estão expostas ao nosso pobre olhar. As capas de revistas.
Cabelos ao vento, peles perfeitamente lisas e incolores (as cores são sempre tão homogêneas que se tornam híbridas), corpos esbeltos e delineados, e o gran finale de um sorriso na cara que só pode me deixar de um jeito: deprimido.
Podemos facilmente encontrar pela internet imagens que ilustram e comparam fotos da maneira como foram capturadas mesmo, e estas mesmas fotos depois de passarem por um "tratamento" (tenho o cuidado das aspas, pois na verdade este é um tratamento que só trata de deturpar terrivelmente tudo). Sinceramente, sempre prefiro a foto crua, sem nenhuma interferência virtual.
(Uma teoria que ainda estou por escrever, e que acho fortíssima, é justamente aquela em que dissertarei sobre o "amar as imperfeições", mas deixemos este caldo apurando por mais algum tempo...)
Pensei neste aspecto da digitalização da imagem, mas podemos ainda pensar em todo o processo pelo qual as pessoas passam até serem estampadas em uma capa de revista: maquiagens, retoques, cabeleireiros, um botóx, 300ml de silicone, uma diminuição de naso, e a lista vai aumentando......
O que me fez ter um estalo desta vez foi vislumbrar como nos movimentamos em uma só direção: tornar o ser Humano de plástico.
Tudo isto me leva a concluir que vivemos na Idade do Plástico, e que a mais terrível invenção do Homem não foi outra senão este maldito composto no qual queremos nos espelhar cada vez mais.
"Ah que saudade da Idade da Pedra!..."
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Teoria das Hiper-Variações
Comecei esta teoria procurando saber o que era mais rápido: o hiper ou o ultra.
Cheguei apenas a uma resposta de ordem gramatical que não me agradou, então resolvi escolher a expressão que mais me atraia sonoramente: hiper.
Mas esta teoria não trata especificamente de velocidade, mas sim de uma velocidade em especial: a velocidade com que o ser Humano altera e varia seus sentimentos e humores.
No senso comum ouve-se a expressão "de lua", mas acho que nossos estares se alteram muito mais do que as formas que a lua toma durante um mês.
O que ocorrem nos humanos são as já ditas flutuações da alma.
E como é tola a busca por uma constância que nunca virá, uma harmonia que só é encontrada na medida em que buscamos nos equilibrar nos mais variados polos existentes, obter o prazer e a excitação desejada tanto no amor como na aversão, no repudio.
É fácil identificar como e quando alguém sente prazer com um sentimento como o amor, pois estamos muito ligados à uma noção de "bem-estar", o desafio está em notar quando começamos a sentir prazer com nossas aversões, repudios e até tristezas.
Poucos conseguem admitir que passaram tanto tempo numa verdadeira foça, que esta passou a ser seu mais aconchegado lar. É como se não soubesse mais agir do lado de fora... Daí certo dia percebe que consegue, mas então já é possível se lembrar como outrora se sentiu confortável estando triste.
Não posso deixar de lembrar agora de um exemplo de quem percebeu o "bem-estar" em várias esferas: "i miss the confort in being sad"...
"Se sentirmos ao mesmo tempo amor e aversão experimentaremos a paixão chamada Flutuação da Alma"
Cheguei apenas a uma resposta de ordem gramatical que não me agradou, então resolvi escolher a expressão que mais me atraia sonoramente: hiper.
Mas esta teoria não trata especificamente de velocidade, mas sim de uma velocidade em especial: a velocidade com que o ser Humano altera e varia seus sentimentos e humores.
No senso comum ouve-se a expressão "de lua", mas acho que nossos estares se alteram muito mais do que as formas que a lua toma durante um mês.
O que ocorrem nos humanos são as já ditas flutuações da alma.
E como é tola a busca por uma constância que nunca virá, uma harmonia que só é encontrada na medida em que buscamos nos equilibrar nos mais variados polos existentes, obter o prazer e a excitação desejada tanto no amor como na aversão, no repudio.
É fácil identificar como e quando alguém sente prazer com um sentimento como o amor, pois estamos muito ligados à uma noção de "bem-estar", o desafio está em notar quando começamos a sentir prazer com nossas aversões, repudios e até tristezas.
Poucos conseguem admitir que passaram tanto tempo numa verdadeira foça, que esta passou a ser seu mais aconchegado lar. É como se não soubesse mais agir do lado de fora... Daí certo dia percebe que consegue, mas então já é possível se lembrar como outrora se sentiu confortável estando triste.
Não posso deixar de lembrar agora de um exemplo de quem percebeu o "bem-estar" em várias esferas: "i miss the confort in being sad"...
"Se sentirmos ao mesmo tempo amor e aversão experimentaremos a paixão chamada Flutuação da Alma"
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Teoria da Hora Sem Nome
Você já olhou pela janela e de repente não sabia que horas eram, nem onde estava?
Um momento em que definitivamente não é possível denominar e identificar as horas - A Hora Sem Nome.
Quando o dia fica cinza, escuro, e parece que uma tempestade está a caminho.
Uma verdadeira suspensão do tempo.
Um breve instante de desconhecimento. Você se vê perdido, solto, sem chão.
Me parece que essas são exatamente as horas certas para se criar! Ir à luta, correr desatinadamente em liberdade pelas ruas. Sair em busca do que nunca seria encontrado no ponteiro dos relógios, pois a hora certa nunca será encontrada neles...
Não é a toa que quando pensamos num apocalipse, num dia final para a humanidade, imaginamos um dia escuro, a população tomando as ruas, correndo desesperada para todos os lados. Quem se importa com as horas nesse momento? Só o que sabemos é que elas vão acabar, então trate de aproveitar, pois não há tempo.
Talvez só quando estamos perdidos é que podemos nos dedicar com mais força àquilo que realmente queremos por em prática.
Portanto, aproveite sua indefinição, saboreie suas dúvidas.
"Pensava ter encontrado um porto, mas me vi novamente atirado em alto mar"
Um momento em que definitivamente não é possível denominar e identificar as horas - A Hora Sem Nome.
Quando o dia fica cinza, escuro, e parece que uma tempestade está a caminho.
Uma verdadeira suspensão do tempo.
Um breve instante de desconhecimento. Você se vê perdido, solto, sem chão.
Me parece que essas são exatamente as horas certas para se criar! Ir à luta, correr desatinadamente em liberdade pelas ruas. Sair em busca do que nunca seria encontrado no ponteiro dos relógios, pois a hora certa nunca será encontrada neles...
Não é a toa que quando pensamos num apocalipse, num dia final para a humanidade, imaginamos um dia escuro, a população tomando as ruas, correndo desesperada para todos os lados. Quem se importa com as horas nesse momento? Só o que sabemos é que elas vão acabar, então trate de aproveitar, pois não há tempo.
Talvez só quando estamos perdidos é que podemos nos dedicar com mais força àquilo que realmente queremos por em prática.
Portanto, aproveite sua indefinição, saboreie suas dúvidas.
"Pensava ter encontrado um porto, mas me vi novamente atirado em alto mar"
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Teoria da Sociedade da Comparação
Você já se pegou comparando coisas?
Certamente sim, e não só uma ou duas vezes.
Diariamente nos prendemos a este infame exercício: o da comparação.
Mas antes de uma efetiva crítica do uso da comparação em nossa sociedade se faz necessária uma meditação acerca do que seria a comparação.
As comparações só existem, pois existem também as diferenças. Se tudo e todos fossem iguais não haveria como, nem o que "comparar", aliás, esta palavra e sua definição também nem existiriam.
Entendo que as comparações são fenômenos intrínsecos aos humanos e à natureza. Um macaco quando vai pegar suas bananas escolhe algumas, evidentemente comparando-as. Se colocarmos duas bolas na frente de um bebê ele escolherá uma, mas pode a qualquer momento mudar de idéia e pegar outra, ou até mesmo ficar com as duas. Os animais fazem suas escolhas a partir daquilo que mais os agrada, em um ou mais aspectos. Porém notemos também que os humanos parecem complicar mais as coisas (ah! Mas que novidade...).
Fica claro que a comparação é um artifício dos sentidos, mas o que observo e mais me atenho é que no ser humano contemporâneo o exercício da comparação é muito mais um artifício da razão.
Vivemos na Sociedade da Comparação. Para tudo que fizemos, fazemos, e iremos fazer é necessária uma análise, a definição de um parâmetro, o traçar de metas e projeções; comparações.
Basta olhar ao nosso redor para perceber a imensa quantidade de pesquisas, análises, gráficos...
Penso ainda nos casos das premiações, das disputas. Por que nossa sociedade as valoriza tanto?
É certo que há aquela inerente busca à glória, ao sucesso, mas para mim o que influi é algo ainda maior, é sim um bel prazer de comparar. Um verdadeiro fetiche à comparação.
Comparar amores, pessoas: como o fazer sem acabar no final das contas como um parvo, que compara sensações como quem escolhe quiabo no supermercado...
E essa é a característica vital da Sociedade da Comparação: o vil excesso da utilização e dos efeitos resultantes deste tolo exercício que é o de comparar.
Fico ainda a matutar sobre o quão absurda é esta prática, que acabou sendo re-criada por nós mesmos.
Controlar as comparações internamente já é o primeiro passo para o controle externo e geral das comparações nos seres humanos.
Se voltarmos a utilizar muito mais o instinto e a intuição, em detrimento e contra-mão de uma banal razão, certamente deixaremos de ser tão rasos e superficiais. Mas isto já é pano pras mangas de mais vestimentas filosóficas...
"E o prêmio NÃO vai para..."
Certamente sim, e não só uma ou duas vezes.
Diariamente nos prendemos a este infame exercício: o da comparação.
Mas antes de uma efetiva crítica do uso da comparação em nossa sociedade se faz necessária uma meditação acerca do que seria a comparação.
As comparações só existem, pois existem também as diferenças. Se tudo e todos fossem iguais não haveria como, nem o que "comparar", aliás, esta palavra e sua definição também nem existiriam.
Entendo que as comparações são fenômenos intrínsecos aos humanos e à natureza. Um macaco quando vai pegar suas bananas escolhe algumas, evidentemente comparando-as. Se colocarmos duas bolas na frente de um bebê ele escolherá uma, mas pode a qualquer momento mudar de idéia e pegar outra, ou até mesmo ficar com as duas. Os animais fazem suas escolhas a partir daquilo que mais os agrada, em um ou mais aspectos. Porém notemos também que os humanos parecem complicar mais as coisas (ah! Mas que novidade...).
Fica claro que a comparação é um artifício dos sentidos, mas o que observo e mais me atenho é que no ser humano contemporâneo o exercício da comparação é muito mais um artifício da razão.
Vivemos na Sociedade da Comparação. Para tudo que fizemos, fazemos, e iremos fazer é necessária uma análise, a definição de um parâmetro, o traçar de metas e projeções; comparações.
Basta olhar ao nosso redor para perceber a imensa quantidade de pesquisas, análises, gráficos...
Penso ainda nos casos das premiações, das disputas. Por que nossa sociedade as valoriza tanto?
É certo que há aquela inerente busca à glória, ao sucesso, mas para mim o que influi é algo ainda maior, é sim um bel prazer de comparar. Um verdadeiro fetiche à comparação.
Comparar amores, pessoas: como o fazer sem acabar no final das contas como um parvo, que compara sensações como quem escolhe quiabo no supermercado...
E essa é a característica vital da Sociedade da Comparação: o vil excesso da utilização e dos efeitos resultantes deste tolo exercício que é o de comparar.
Fico ainda a matutar sobre o quão absurda é esta prática, que acabou sendo re-criada por nós mesmos.
Controlar as comparações internamente já é o primeiro passo para o controle externo e geral das comparações nos seres humanos.
Se voltarmos a utilizar muito mais o instinto e a intuição, em detrimento e contra-mão de uma banal razão, certamente deixaremos de ser tão rasos e superficiais. Mas isto já é pano pras mangas de mais vestimentas filosóficas...
"E o prêmio NÃO vai para..."
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Ode ao Ser Caseiro
Especialmente hoje não escreverei uma Teoria, apesar de que este texto certamente poderá em algum momento ser considerado uma, pois acredito que meus pensamentos(e de outros) sempre, mesmo que sem intenção, fazem brotar Teorias.
Enfim gostaria agora de fazer um Elogio (quem sabe no futuro nos moldes de um Elogio da Loucura) ao Ser Caseiro, àqueles que se recolhem em seus lares para criar, produzir, ou simplesmente existir da maneira que lhes é mais forte.
Espero com essas próximas, e breves, palavras emitir uma espécie de canto comum, de ode, que ressoe pelos vários cubículos, aposentos e becos onde hajam sujeitos caseiros, então eles, e apenas eles, ouvirão as melodias e continuarão a criar com ainda mais força.
Sou um ser de lares.
Só me sinto realmente à vontade quando re-conheço gostos, cheiros, formas. Apenas assim consigo aproveitar cabalmente os acontecimentos. Do contrário, sou obrigado a fazer um esforço tremendo para me sentir bem, às vezes até consigo, mas sempre aquele precipitado de estranhamento e descontentação se faz presente. Aquele incômodo que por mais que se tente varrer para baixo do tapete, não se consegue... Algumas pequenas migalhas sempre sobram por cima do tecido. (Ok, já é uma teoria).
É como um leito em que de tanto dormir na mesma posição você já constrói e molda a exata forma do seu corpo, e basta chegar, não importa de que maneira, e deitar naquele ninho, no aconchego de seus próprios contornos. É chegada a hora de relaxar e perceber, mesmo que minimamente, as pistas, os indícios que podem dizer quem é(são) você.
Como é bom se sentir à vontade!
Então, desejo que todos possam se encolher em seus casulos, que possam cuidar, desenhar e esculpir suas próprias asas, para poderem voar cada vez mais alto e além...
"Todos os infortúnios da humanidade provêm do fato de não ficar quieta em seus aposentos"
Enfim gostaria agora de fazer um Elogio (quem sabe no futuro nos moldes de um Elogio da Loucura) ao Ser Caseiro, àqueles que se recolhem em seus lares para criar, produzir, ou simplesmente existir da maneira que lhes é mais forte.
Espero com essas próximas, e breves, palavras emitir uma espécie de canto comum, de ode, que ressoe pelos vários cubículos, aposentos e becos onde hajam sujeitos caseiros, então eles, e apenas eles, ouvirão as melodias e continuarão a criar com ainda mais força.
Sou um ser de lares.
Só me sinto realmente à vontade quando re-conheço gostos, cheiros, formas. Apenas assim consigo aproveitar cabalmente os acontecimentos. Do contrário, sou obrigado a fazer um esforço tremendo para me sentir bem, às vezes até consigo, mas sempre aquele precipitado de estranhamento e descontentação se faz presente. Aquele incômodo que por mais que se tente varrer para baixo do tapete, não se consegue... Algumas pequenas migalhas sempre sobram por cima do tecido. (Ok, já é uma teoria).
É como um leito em que de tanto dormir na mesma posição você já constrói e molda a exata forma do seu corpo, e basta chegar, não importa de que maneira, e deitar naquele ninho, no aconchego de seus próprios contornos. É chegada a hora de relaxar e perceber, mesmo que minimamente, as pistas, os indícios que podem dizer quem é(são) você.
Como é bom se sentir à vontade!
Então, desejo que todos possam se encolher em seus casulos, que possam cuidar, desenhar e esculpir suas próprias asas, para poderem voar cada vez mais alto e além...
"Todos os infortúnios da humanidade provêm do fato de não ficar quieta em seus aposentos"
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Teoria do Tempo/Espaço Estático
Quando não estamos em um lugar ele congela.
A ausência de nossa presença faz com que os acontecimentos e as coisas esperem por nós como estátuas, que só retomam suas ações e seus movimentos quando retornamos ao local.
Sempre lembro do sítio de um amigo, que costumávamos ir em feriados escolares.
Os sofás e camas cobertos por lençóis embolorados e cheios de buracos, os belos móveis de madeira, um cheiro e um ar frio muito peculiares... A casa toda parecia como que absolutamente intacta desde a última vez em que a havíamos deixado. Era mesmo como que não só o espaço, mas efetivamente o tempo permanesse paralisado a partir do momento em que trancávamos a casa e abandonávamos as redondezas.
Até uma bela borboleta de asas azuis que estava em cima de uma cômoda ficou estática, e eu juro que a vi voar pela janela 2 meses depois de voltar ao local, no instante em que abrimos as portas e janelas para arrejar o ambiente.
Hoje vejo que o que estávamos realmente fazendo era arrejando o tempo e o espaço.
Ilustrei a teoria através deste caso porque percebi que é mais fácil entender esta questão quando pensamos em lugares mais leves, solitários. Fica muito mais complexo pensar na avenida paulista ou na wall street totalmente paralisadas após nosso ônibus dobrar uma esquina ou descermos as escada em direção ao metrô.
Mas acontece, tudo pára, pode apostar.
Esta teoria pode também, para os mais desavisados, soar um tanto egocêntrica, mas não é o caso.
O egocentrismo não se reflete nesta situação, a não ser que pensemos em um ego infantil. Se considerarmos as crianças seres egóicos por natureza e excelência, então carimbe esta teoria como egocêntrica, pois tudo aqui é produzido com doses cavalares de ingenuidade. Isso sem contar que a teoria vale para todos. Cada um com seus tempos e espaços.
"Tudo vive em um eterno movimento e repouso, um para o outro, dependendo do referencial"
A ausência de nossa presença faz com que os acontecimentos e as coisas esperem por nós como estátuas, que só retomam suas ações e seus movimentos quando retornamos ao local.
Sempre lembro do sítio de um amigo, que costumávamos ir em feriados escolares.
Os sofás e camas cobertos por lençóis embolorados e cheios de buracos, os belos móveis de madeira, um cheiro e um ar frio muito peculiares... A casa toda parecia como que absolutamente intacta desde a última vez em que a havíamos deixado. Era mesmo como que não só o espaço, mas efetivamente o tempo permanesse paralisado a partir do momento em que trancávamos a casa e abandonávamos as redondezas.
Até uma bela borboleta de asas azuis que estava em cima de uma cômoda ficou estática, e eu juro que a vi voar pela janela 2 meses depois de voltar ao local, no instante em que abrimos as portas e janelas para arrejar o ambiente.
Hoje vejo que o que estávamos realmente fazendo era arrejando o tempo e o espaço.
Ilustrei a teoria através deste caso porque percebi que é mais fácil entender esta questão quando pensamos em lugares mais leves, solitários. Fica muito mais complexo pensar na avenida paulista ou na wall street totalmente paralisadas após nosso ônibus dobrar uma esquina ou descermos as escada em direção ao metrô.
Mas acontece, tudo pára, pode apostar.
Esta teoria pode também, para os mais desavisados, soar um tanto egocêntrica, mas não é o caso.
O egocentrismo não se reflete nesta situação, a não ser que pensemos em um ego infantil. Se considerarmos as crianças seres egóicos por natureza e excelência, então carimbe esta teoria como egocêntrica, pois tudo aqui é produzido com doses cavalares de ingenuidade. Isso sem contar que a teoria vale para todos. Cada um com seus tempos e espaços.
"Tudo vive em um eterno movimento e repouso, um para o outro, dependendo do referencial"
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