Me ocorreu que nunca serei uma menina argentina.
Serei sempre só eu.
"Nossas ações surgem de nossa própria ficção"
terça-feira, 25 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Teoria do Fetiche Jornalismo
Vira e mexe nos deparamos com algumas notícias que invadem, como um tsunami, o universo midiático-jornalístico.
Um acontecimento que detém praticamente 100% da atenção de toda a população, em todo lugar que vamos ouvimos falar disto, seja esperando o ônibus, na fila do banco ou sentado em frente ao computador no trabalho. Um dos fatores que ajuda para a proliferação dessas conversas sobre "mais do mesmo" são os jornais, o rádio, a televisão, a internet...
Esse ciclo vicioso de notícias me lembra bastante outro ciclo: o comercial. A cada ano o comércio divide seu calendário em datas específicas e ininterruptas, para assim evitar que as pessoas em dado momento do ano parem de consumir. Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, Dias dos Pais, Dias das Crianças, Natal, Ano Novo e qualquer outro que podemos encaixar nesta linha capital.
O Jornalismo parece seguir um ciclo parecido, sempre em busca de uma notícia absurda e chocante para tapar os burracos e não deixar as pessoas desnutridas de alimento doentio.
Sempre me perguntei: O que é o Jornalismo?
Nunca cheguei a uma resposta satisfatória. Em conversas com um amigo jornalista sempre caímos na questão da imparcialidade, de que o problema central do Jornalismo é procurar sempre atingir um patamar que, em verdade, lhe é impossível.
Acho que o grande desafio do jornalista é procurar com todas suas forças não se tornar um imbecil (e não seria também um desafio de todos?), mas me parece ser este um ofício que torna mais fácil a possibilidade de se cair nas tocaias da boçalidade.
Percebo hoje que a pergunta que devo fazer é: O que fazem do Jornalismo?
Vejo como o jornalismo está nos dias de hoje, mais ou menos assim; como uma espécie de ser que espreita, rói as unhas, baba, suplica por uma próxima notícia que chocará a todos. São serial killers, pedófilos, sequestradores, mutiladores e toda forma de ação bruta, visceral e odiosa sendo colocada em voga e em relevo diariamente.
Estamos com estas notícias atingindo mesmo momentos em que o Jornalismo parece desaparecer por completo, dando lugar a um Fetiche Jornalismo.
E já chegamos a um ponto de não-discernimento, quase não conseguimos distinguí-los, como se a partir destes últimos tempos o Jornalismo tenha se tornado já em si fetichista. Faz parte de uma ontologia.
É como digo: quando um cruel assassinato faz mais estardalhaço do que um poema, já não sei se temos salvação.
Sei que esta questão é mais uma que deve ser nuançada, mas estes escritos são como rascunhos, como pequenas cartografias para pensamentos e ensaios por vir.
"Vivemos mesmo o Tempo dos Assassinos"
Um acontecimento que detém praticamente 100% da atenção de toda a população, em todo lugar que vamos ouvimos falar disto, seja esperando o ônibus, na fila do banco ou sentado em frente ao computador no trabalho. Um dos fatores que ajuda para a proliferação dessas conversas sobre "mais do mesmo" são os jornais, o rádio, a televisão, a internet...
Esse ciclo vicioso de notícias me lembra bastante outro ciclo: o comercial. A cada ano o comércio divide seu calendário em datas específicas e ininterruptas, para assim evitar que as pessoas em dado momento do ano parem de consumir. Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, Dias dos Pais, Dias das Crianças, Natal, Ano Novo e qualquer outro que podemos encaixar nesta linha capital.
O Jornalismo parece seguir um ciclo parecido, sempre em busca de uma notícia absurda e chocante para tapar os burracos e não deixar as pessoas desnutridas de alimento doentio.
Sempre me perguntei: O que é o Jornalismo?
Nunca cheguei a uma resposta satisfatória. Em conversas com um amigo jornalista sempre caímos na questão da imparcialidade, de que o problema central do Jornalismo é procurar sempre atingir um patamar que, em verdade, lhe é impossível.
Acho que o grande desafio do jornalista é procurar com todas suas forças não se tornar um imbecil (e não seria também um desafio de todos?), mas me parece ser este um ofício que torna mais fácil a possibilidade de se cair nas tocaias da boçalidade.
Percebo hoje que a pergunta que devo fazer é: O que fazem do Jornalismo?
Vejo como o jornalismo está nos dias de hoje, mais ou menos assim; como uma espécie de ser que espreita, rói as unhas, baba, suplica por uma próxima notícia que chocará a todos. São serial killers, pedófilos, sequestradores, mutiladores e toda forma de ação bruta, visceral e odiosa sendo colocada em voga e em relevo diariamente.
Estamos com estas notícias atingindo mesmo momentos em que o Jornalismo parece desaparecer por completo, dando lugar a um Fetiche Jornalismo.
E já chegamos a um ponto de não-discernimento, quase não conseguimos distinguí-los, como se a partir destes últimos tempos o Jornalismo tenha se tornado já em si fetichista. Faz parte de uma ontologia.
É como digo: quando um cruel assassinato faz mais estardalhaço do que um poema, já não sei se temos salvação.
Sei que esta questão é mais uma que deve ser nuançada, mas estes escritos são como rascunhos, como pequenas cartografias para pensamentos e ensaios por vir.
"Vivemos mesmo o Tempo dos Assassinos"
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Teoria dos Óculos de Lua
No início do século XX foram criados os óculos de sol. Dizem por aí que eles começaram a ser popularizados através das primeiras estrelas do cinema mudo.
Noto que eles nasceram com um certo ar de superioridade, de pose. Até hoje o significado mais recorrente dos óculos de sol é esse.
Quantas vezes vemos pessoas em ambientes fechados, ou até mesmo de noite os trajando?
Os óculos de sol estão fadados à imagens superficiais, que tratam sempre de esconder algo (nem que seja os olhos da intensa claridade), de dissimular.
Então proponho hoje, no início do século XXI, uma revolução: a criação dos Óculos de Lua.
Os óculos de lua (para tristeza dos tarados e pervertidos de plantão) não serão como aqueles em que se pode ver tudo e todos, por exemplo a roupa de baixo das pessoas. Estes novos acessórios nos farão enxergar um outro tipo de vestimenta humana, muito mais íntima do que qualquer outra.
Eles possuirão quase que vontade própria. Diferentemente dos óculos de sol, os óculos de lua não veem o que nossos olhos querem, o que lhes ordenamos, eles mostram o que está efetivamente à luz da vista, apesar de nos negarmos a enxergar. Os óculos de sol impõem um significado para quem os traja e para quem observa quem os está trajando, os óculos de lua não. Seus sentidos são vários, e a cada momento eles nos mostram uma novidade, como se fossem mesmo caleidoscópios de signos.
Os óculos de lua não ligam a mínima se vão te magoar ou te fazer regojizar. Para eles não importa, eles apenas mostram.
Só precisamos ficar bem atentos, porque o uso diário destes acessórios causará dependência. Será uma avalanche tão grande de espontaneidade e sinceridade que talvez não daremos conta. Se já não conseguimos lidar direito com nossos entendimentos e suposições, o que dizer então de verdadeiras rajadas de realidade em nossa cara?
Bem, o conceito geral está criado, só ainda não pensei em formas, como eles seriam, quais modelos poderiam existir... Mas estou aberto a sugestões. Quem quiser desenvolvê-los melhor comigo, sinta-se à vontade.
"Ponha seus óculos de lua e vamos viajar"
Noto que eles nasceram com um certo ar de superioridade, de pose. Até hoje o significado mais recorrente dos óculos de sol é esse.
Quantas vezes vemos pessoas em ambientes fechados, ou até mesmo de noite os trajando?
Os óculos de sol estão fadados à imagens superficiais, que tratam sempre de esconder algo (nem que seja os olhos da intensa claridade), de dissimular.
Então proponho hoje, no início do século XXI, uma revolução: a criação dos Óculos de Lua.
Os óculos de lua (para tristeza dos tarados e pervertidos de plantão) não serão como aqueles em que se pode ver tudo e todos, por exemplo a roupa de baixo das pessoas. Estes novos acessórios nos farão enxergar um outro tipo de vestimenta humana, muito mais íntima do que qualquer outra.
Eles possuirão quase que vontade própria. Diferentemente dos óculos de sol, os óculos de lua não veem o que nossos olhos querem, o que lhes ordenamos, eles mostram o que está efetivamente à luz da vista, apesar de nos negarmos a enxergar. Os óculos de sol impõem um significado para quem os traja e para quem observa quem os está trajando, os óculos de lua não. Seus sentidos são vários, e a cada momento eles nos mostram uma novidade, como se fossem mesmo caleidoscópios de signos.
Os óculos de lua não ligam a mínima se vão te magoar ou te fazer regojizar. Para eles não importa, eles apenas mostram.
Só precisamos ficar bem atentos, porque o uso diário destes acessórios causará dependência. Será uma avalanche tão grande de espontaneidade e sinceridade que talvez não daremos conta. Se já não conseguimos lidar direito com nossos entendimentos e suposições, o que dizer então de verdadeiras rajadas de realidade em nossa cara?
Bem, o conceito geral está criado, só ainda não pensei em formas, como eles seriam, quais modelos poderiam existir... Mas estou aberto a sugestões. Quem quiser desenvolvê-los melhor comigo, sinta-se à vontade.
"Ponha seus óculos de lua e vamos viajar"
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Teoria dos Seres Múltiplos
Há uns tempos atrás li um livro. "Caminhada" do Hermann Hesse.
Peguei esse livro na casa da minha vó, ela se desfez de várias coisas e disse que eu poderia pegar o que quisesse. Peguei alguns livros e discos. Esse livro foi um deles.
Logo que o abri vi uma dedicatória.
Minha mãe deu esse livro pro meu pai quando eles ainda namoravam... Vou reproduzir aqui o que ela escreveu:
"Marcus,
... Nada mais organizado,
daquilo que o amor organiza.
... Nada mais livre
daquilo que o amor une.
Quero que você seja o namorado mais livre e amado que existe.
Sandra, 12-06-1978".
Fiquei um pouco emocionado e bem apreensivo com estas palavras, e mais...
Fiquei pensando como a vida é múltipla em vários sentidos - amor, afeto,
Como é louco isso. Minha mãe vai se enxergar de alguma forma nessas palavras, mas com certeza vai observar também que essa é uma Sandra que ficou pra trás, que morreu de certa maneira, que não existe mais, e que não é mais ela.
Eu sempre pensei muito sobre essa questão: vivemos e morremos milhares de vezes dentro de nossas vidas, somos milhares ao mesmo tempo, sem nem ao menos perceber...
Uma situação que explica a existência de milhares num só é como para cada pessoa, para cada humor somos um singular.
Com algumas pessoas somos rudes, austeros e dominadores; com outras somos leves, inofensivos e tranquilos, é estranho.
Me parece que as forças de cada ser entram em um incessante digladiar entre si, e é desse embate que são fecundados os novos seres (não seria também o sexo uma forma de digladiar?).
Se em meu cotidiano travo relação com 44 pessoas sou 44 Ciros. E se em algum momento deixo de ter e perco contato com algum desses seres é como se um Eu morresse, deixasse mesmo de existir.
E esta Teoria é sobre isto: nossas existências múltiplas. Somos humanos, porém também camaleões, sem dúvida (e os biólogos que venham me afrontar há-há!).
Penso ainda em Robinson Crusoé. Ele estava isolado, mas para continuar a viver, a existir, criou mecanismos para gerar novos Eus, novos Robinsons, pois sem eles a vida não seria possível.
De modo que é isso: se queremos nos manter vivos não cessemos nunca de parir e assassinar nós mesmos.
"Talvez o mundo seja habitado por trilhões de pessoas,
e nem nos damos conta disso..."
Peguei esse livro na casa da minha vó, ela se desfez de várias coisas e disse que eu poderia pegar o que quisesse. Peguei alguns livros e discos. Esse livro foi um deles.
Logo que o abri vi uma dedicatória.
Minha mãe deu esse livro pro meu pai quando eles ainda namoravam... Vou reproduzir aqui o que ela escreveu:
"Marcus,
... Nada mais organizado,
daquilo que o amor organiza.
... Nada mais livre
daquilo que o amor une.
Quero que você seja o namorado mais livre e amado que existe.
Sandra, 12-06-1978".
Fiquei um pouco emocionado e bem apreensivo com estas palavras, e mais...
Fiquei pensando como a vida é múltipla em vários sentidos - amor, afeto,
Como é louco isso. Minha mãe vai se enxergar de alguma forma nessas palavras, mas com certeza vai observar também que essa é uma Sandra que ficou pra trás, que morreu de certa maneira, que não existe mais, e que não é mais ela.
Eu sempre pensei muito sobre essa questão: vivemos e morremos milhares de vezes dentro de nossas vidas, somos milhares ao mesmo tempo, sem nem ao menos perceber...
Uma situação que explica a existência de milhares num só é como para cada pessoa, para cada humor somos um singular.
Com algumas pessoas somos rudes, austeros e dominadores; com outras somos leves, inofensivos e tranquilos, é estranho.
Me parece que as forças de cada ser entram em um incessante digladiar entre si, e é desse embate que são fecundados os novos seres (não seria também o sexo uma forma de digladiar?).
Se em meu cotidiano travo relação com 44 pessoas sou 44 Ciros. E se em algum momento deixo de ter e perco contato com algum desses seres é como se um Eu morresse, deixasse mesmo de existir.
E esta Teoria é sobre isto: nossas existências múltiplas. Somos humanos, porém também camaleões, sem dúvida (e os biólogos que venham me afrontar há-há!).
Penso ainda em Robinson Crusoé. Ele estava isolado, mas para continuar a viver, a existir, criou mecanismos para gerar novos Eus, novos Robinsons, pois sem eles a vida não seria possível.
De modo que é isso: se queremos nos manter vivos não cessemos nunca de parir e assassinar nós mesmos.
"Talvez o mundo seja habitado por trilhões de pessoas,
e nem nos damos conta disso..."
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Teoria das Verdadeiras SAs
Existem em nosso mundo alguns clãs que são criados em silêncio, nos subterrâneos. São grupos que não possuem restrições, nem preconceitos, e que a única ordem é a do não-excluir.
Um exemplo destes é o que chamo de "A Irmandade do Trâfego".
Em momentos especiais no trânsito parece que todos querem se ajudar de qualquer maneira e sem precedentes.
Você já reparou na reação das pessoas quando elas percebem a porta de um outro carro aberta? Faz-se o maior estardalhaço só para avisar um outro motorista de que uma das portas de seu veículo está aberta (e muitas vezes não há ninguém sentado ao lado do suposto perigo). A pessoa avisada toma quase sempre um grande susto, pois já acha que será furtada ou que será xingada por alguma barbeiragem, o que acontece muito mais comumente.
Outro ato desta irmandade é percebido através das rodovias do país.
Quando há alguma blitz policial, ou um acidente a frente, todos sinalizam exageradamente uns aos outros, para alertar seus companheiros. Quando se trata de burlar a lei nesse caso, todos parecem dar as mãos.
Penso como são curiosas estas verdadeiras Sociedades Anônimas...
Tenho a impressão de que até um nazista e um punk se ajudariam nestes casos. Com certeza também os serial killers e os estupradores já foram avisados de que as portas de seus veículos estavam abertas ou de que havia uma blitz lhe esperando a frente.
É claro que as pessoas não tem como saber das personalidades das outras, mas creio que o que ocorre é que todos passam a ser apenas motoristas uns aos outros, e nada mais. Deixam de existir em todas as outras esferas possíveis. Todos fazem as suas medíocres máscaras morais caírem!
"É indizível o quanto de dor, pretensão, dureza, estranhamento, frieza, penetrou assim no sentimento humano, por se pensar ver oposições em lugar das transições"
Um exemplo destes é o que chamo de "A Irmandade do Trâfego".
Em momentos especiais no trânsito parece que todos querem se ajudar de qualquer maneira e sem precedentes.
Você já reparou na reação das pessoas quando elas percebem a porta de um outro carro aberta? Faz-se o maior estardalhaço só para avisar um outro motorista de que uma das portas de seu veículo está aberta (e muitas vezes não há ninguém sentado ao lado do suposto perigo). A pessoa avisada toma quase sempre um grande susto, pois já acha que será furtada ou que será xingada por alguma barbeiragem, o que acontece muito mais comumente.
Outro ato desta irmandade é percebido através das rodovias do país.
Quando há alguma blitz policial, ou um acidente a frente, todos sinalizam exageradamente uns aos outros, para alertar seus companheiros. Quando se trata de burlar a lei nesse caso, todos parecem dar as mãos.
Penso como são curiosas estas verdadeiras Sociedades Anônimas...
Tenho a impressão de que até um nazista e um punk se ajudariam nestes casos. Com certeza também os serial killers e os estupradores já foram avisados de que as portas de seus veículos estavam abertas ou de que havia uma blitz lhe esperando a frente.
É claro que as pessoas não tem como saber das personalidades das outras, mas creio que o que ocorre é que todos passam a ser apenas motoristas uns aos outros, e nada mais. Deixam de existir em todas as outras esferas possíveis. Todos fazem as suas medíocres máscaras morais caírem!
"É indizível o quanto de dor, pretensão, dureza, estranhamento, frieza, penetrou assim no sentimento humano, por se pensar ver oposições em lugar das transições"
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Teoria da Idade do Plástico
Todo esse pensamento se iniciou de mais uma conversa minha comigo mesmo (*ver primeiro post deste blog) acerca de um curta-metragem, o "Tempestade!" (http://tvtribuna.wsoma.com/curtasantos2008/videos.asp?idVideo=41). A primeira impressão é de que este curta é um ensaio sobre a visão, mas para mim ele é algo mais, um ensaio sobre os sentidos. Em alguns momentos até podemos voltar nossa atenção mais para a questão da visão, porém daí será não apenas para pensar uma visão física, mas sim também uma visão de mundo.
Notei, através deste brainstorming sobre o curta, que perdemos já há algum tempo o estatuto de sociedade dos sentidos, e que hoje nos contentamos em ser apenas a sociedade da imagem.
Pelos meus caminhos em direção ao trabalho, às aulas e pra onde quer que eu vá (não tenho carro, nem moto, nem tampouco bicicleta, por isso ando, e gosto bastante disso)
vejo muitas bancas de jornal e sempre fico a me perguntar o quão absurdas são as imagens que estão expostas ao nosso pobre olhar. As capas de revistas.
Cabelos ao vento, peles perfeitamente lisas e incolores (as cores são sempre tão homogêneas que se tornam híbridas), corpos esbeltos e delineados, e o gran finale de um sorriso na cara que só pode me deixar de um jeito: deprimido.
Podemos facilmente encontrar pela internet imagens que ilustram e comparam fotos da maneira como foram capturadas mesmo, e estas mesmas fotos depois de passarem por um "tratamento" (tenho o cuidado das aspas, pois na verdade este é um tratamento que só trata de deturpar terrivelmente tudo). Sinceramente, sempre prefiro a foto crua, sem nenhuma interferência virtual.
(Uma teoria que ainda estou por escrever, e que acho fortíssima, é justamente aquela em que dissertarei sobre o "amar as imperfeições", mas deixemos este caldo apurando por mais algum tempo...)
Pensei neste aspecto da digitalização da imagem, mas podemos ainda pensar em todo o processo pelo qual as pessoas passam até serem estampadas em uma capa de revista: maquiagens, retoques, cabeleireiros, um botóx, 300ml de silicone, uma diminuição de naso, e a lista vai aumentando......
O que me fez ter um estalo desta vez foi vislumbrar como nos movimentamos em uma só direção: tornar o ser Humano de plástico.
Tudo isto me leva a concluir que vivemos na Idade do Plástico, e que a mais terrível invenção do Homem não foi outra senão este maldito composto no qual queremos nos espelhar cada vez mais.
"Ah que saudade da Idade da Pedra!..."
Notei, através deste brainstorming sobre o curta, que perdemos já há algum tempo o estatuto de sociedade dos sentidos, e que hoje nos contentamos em ser apenas a sociedade da imagem.
Pelos meus caminhos em direção ao trabalho, às aulas e pra onde quer que eu vá (não tenho carro, nem moto, nem tampouco bicicleta, por isso ando, e gosto bastante disso)
vejo muitas bancas de jornal e sempre fico a me perguntar o quão absurdas são as imagens que estão expostas ao nosso pobre olhar. As capas de revistas.
Cabelos ao vento, peles perfeitamente lisas e incolores (as cores são sempre tão homogêneas que se tornam híbridas), corpos esbeltos e delineados, e o gran finale de um sorriso na cara que só pode me deixar de um jeito: deprimido.
Podemos facilmente encontrar pela internet imagens que ilustram e comparam fotos da maneira como foram capturadas mesmo, e estas mesmas fotos depois de passarem por um "tratamento" (tenho o cuidado das aspas, pois na verdade este é um tratamento que só trata de deturpar terrivelmente tudo). Sinceramente, sempre prefiro a foto crua, sem nenhuma interferência virtual.
(Uma teoria que ainda estou por escrever, e que acho fortíssima, é justamente aquela em que dissertarei sobre o "amar as imperfeições", mas deixemos este caldo apurando por mais algum tempo...)
Pensei neste aspecto da digitalização da imagem, mas podemos ainda pensar em todo o processo pelo qual as pessoas passam até serem estampadas em uma capa de revista: maquiagens, retoques, cabeleireiros, um botóx, 300ml de silicone, uma diminuição de naso, e a lista vai aumentando......
O que me fez ter um estalo desta vez foi vislumbrar como nos movimentamos em uma só direção: tornar o ser Humano de plástico.
Tudo isto me leva a concluir que vivemos na Idade do Plástico, e que a mais terrível invenção do Homem não foi outra senão este maldito composto no qual queremos nos espelhar cada vez mais.
"Ah que saudade da Idade da Pedra!..."
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Teoria das Hiper-Variações
Comecei esta teoria procurando saber o que era mais rápido: o hiper ou o ultra.
Cheguei apenas a uma resposta de ordem gramatical que não me agradou, então resolvi escolher a expressão que mais me atraia sonoramente: hiper.
Mas esta teoria não trata especificamente de velocidade, mas sim de uma velocidade em especial: a velocidade com que o ser Humano altera e varia seus sentimentos e humores.
No senso comum ouve-se a expressão "de lua", mas acho que nossos estares se alteram muito mais do que as formas que a lua toma durante um mês.
O que ocorrem nos humanos são as já ditas flutuações da alma.
E como é tola a busca por uma constância que nunca virá, uma harmonia que só é encontrada na medida em que buscamos nos equilibrar nos mais variados polos existentes, obter o prazer e a excitação desejada tanto no amor como na aversão, no repudio.
É fácil identificar como e quando alguém sente prazer com um sentimento como o amor, pois estamos muito ligados à uma noção de "bem-estar", o desafio está em notar quando começamos a sentir prazer com nossas aversões, repudios e até tristezas.
Poucos conseguem admitir que passaram tanto tempo numa verdadeira foça, que esta passou a ser seu mais aconchegado lar. É como se não soubesse mais agir do lado de fora... Daí certo dia percebe que consegue, mas então já é possível se lembrar como outrora se sentiu confortável estando triste.
Não posso deixar de lembrar agora de um exemplo de quem percebeu o "bem-estar" em várias esferas: "i miss the confort in being sad"...
"Se sentirmos ao mesmo tempo amor e aversão experimentaremos a paixão chamada Flutuação da Alma"
Cheguei apenas a uma resposta de ordem gramatical que não me agradou, então resolvi escolher a expressão que mais me atraia sonoramente: hiper.
Mas esta teoria não trata especificamente de velocidade, mas sim de uma velocidade em especial: a velocidade com que o ser Humano altera e varia seus sentimentos e humores.
No senso comum ouve-se a expressão "de lua", mas acho que nossos estares se alteram muito mais do que as formas que a lua toma durante um mês.
O que ocorrem nos humanos são as já ditas flutuações da alma.
E como é tola a busca por uma constância que nunca virá, uma harmonia que só é encontrada na medida em que buscamos nos equilibrar nos mais variados polos existentes, obter o prazer e a excitação desejada tanto no amor como na aversão, no repudio.
É fácil identificar como e quando alguém sente prazer com um sentimento como o amor, pois estamos muito ligados à uma noção de "bem-estar", o desafio está em notar quando começamos a sentir prazer com nossas aversões, repudios e até tristezas.
Poucos conseguem admitir que passaram tanto tempo numa verdadeira foça, que esta passou a ser seu mais aconchegado lar. É como se não soubesse mais agir do lado de fora... Daí certo dia percebe que consegue, mas então já é possível se lembrar como outrora se sentiu confortável estando triste.
Não posso deixar de lembrar agora de um exemplo de quem percebeu o "bem-estar" em várias esferas: "i miss the confort in being sad"...
"Se sentirmos ao mesmo tempo amor e aversão experimentaremos a paixão chamada Flutuação da Alma"
Assinar:
Postagens (Atom)
