Você já se pegou comparando coisas?
Certamente sim, e não só uma ou duas vezes.
Diariamente nos prendemos a este infame exercício: o da comparação.
Mas antes de uma efetiva crítica do uso da comparação em nossa sociedade se faz necessária uma meditação acerca do que seria a comparação.
As comparações só existem, pois existem também as diferenças. Se tudo e todos fossem iguais não haveria como, nem o que "comparar", aliás, esta palavra e sua definição também nem existiriam.
Entendo que as comparações são fenômenos intrínsecos aos humanos e à natureza. Um macaco quando vai pegar suas bananas escolhe algumas, evidentemente comparando-as. Se colocarmos duas bolas na frente de um bebê ele escolherá uma, mas pode a qualquer momento mudar de idéia e pegar outra, ou até mesmo ficar com as duas. Os animais fazem suas escolhas a partir daquilo que mais os agrada, em um ou mais aspectos. Porém notemos também que os humanos parecem complicar mais as coisas (ah! Mas que novidade...).
Fica claro que a comparação é um artifício dos sentidos, mas o que observo e mais me atenho é que no ser humano contemporâneo o exercício da comparação é muito mais um artifício da razão.
Vivemos na Sociedade da Comparação. Para tudo que fizemos, fazemos, e iremos fazer é necessária uma análise, a definição de um parâmetro, o traçar de metas e projeções; comparações.
Basta olhar ao nosso redor para perceber a imensa quantidade de pesquisas, análises, gráficos...
Penso ainda nos casos das premiações, das disputas. Por que nossa sociedade as valoriza tanto?
É certo que há aquela inerente busca à glória, ao sucesso, mas para mim o que influi é algo ainda maior, é sim um bel prazer de comparar. Um verdadeiro fetiche à comparação.
Comparar amores, pessoas: como o fazer sem acabar no final das contas como um parvo, que compara sensações como quem escolhe quiabo no supermercado...
E essa é a característica vital da Sociedade da Comparação: o vil excesso da utilização e dos efeitos resultantes deste tolo exercício que é o de comparar.
Fico ainda a matutar sobre o quão absurda é esta prática, que acabou sendo re-criada por nós mesmos.
Controlar as comparações internamente já é o primeiro passo para o controle externo e geral das comparações nos seres humanos.
Se voltarmos a utilizar muito mais o instinto e a intuição, em detrimento e contra-mão de uma banal razão, certamente deixaremos de ser tão rasos e superficiais. Mas isto já é pano pras mangas de mais vestimentas filosóficas...
"E o prêmio NÃO vai para..."
terça-feira, 30 de setembro de 2008
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Um comentário:
Comparativamente, esse texto é fenomenal...
;)
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